A espiritualidade gualandiana é uma herança deixada pelo fundador Padre José Gualandi. O papa São João Paulo II em 2001 ao reconhecer suas virtudes heroicas, colocou Padre José Gualandi entre aqueles que são modelo de sacerdócio e serviço aos irmãos. No reconhecimento oficial assim o classificou: “Padre José foi um sacerdote que serviu de joelhos”. Esta frase resume a espiritualidade gualandiana. Somos legatários de um sacerdote orante, penitente e de corajoso apostolado. Sob a influência inaciana, deixou transparecer em seus escritos um itinerário espiritual que tem como base a realização da vontade do Senhor e como finalidade a Glória de Deus. O seu método de vida espiritual constituía em: deixar-se tocar pela inspiração divina, colocar-se em oração humilde e filial, observar a realidade e pedir luz para enxergar os sinais de Deus e partir para a ação, colocando toda a sua força nos projetos Divinos.

Seu irmão e companheiro de fundação Padre César Gualandi, antes da morte, confiou à Madre Orsola Mezzini, primeira religiosa do ramo feminino, o lema que mais tarde seria adotado pelo Padre José: Só Deus! O fundador fazia questão de colocar este lema no topo e início de cada carta que escrevia, para que toda a sua ação estivesse sob o olhar do Único Deus e Senhor de todas as coisas.

A sua grande paixão e amor do seu coração foram os surdos, o carisma que lhe foi dado. Sob a proteção da Virgem do Silêncio e de alguns santos padroeiros, dedicou-se exclusivamente a eles por mais de 57 anos. Influenciou congressos de discussão de métodos, escreveu aos bispos para sensibilizá-los da situação dos surdos e procurou meios para envolver os leigos na sua missão, começando pela sua própria família. Transferiu para a sua obra a sua experiência familiar. Quis que o surdo tivesse esta bagagem humana para vencer os desafios da vida.

Olhando para o Cristo do Éfeta e a pobreza espiritual do surdo, Padre José sentia o seu coração se inclinar cada vez mais para sanar esta triste situação. Não se conformava em ver o surdo longe da fé, sem a consolação do maravilhoso conhecimento do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, que também por eles derramou o seu sangue redentor. Por eles viveu, sofreu e gastou os melhores anos de sua existência.